terça-feira, 29 de março de 2016

A aventura continua

É aqui que a aventura continua.
Hesitei um pouco ao clicar em "Nova postagem". Vi o mouse sobre a letra, que ficava azul e sublinhada. Quase não cliquei. Mas a vida tem dessas coisas, que a gente quase faz. Entre o quase e o fazer impera o abismo. O abismo dos medos e dos receios. O abismo das ideias que nunca se tornaram tentativas. Eu ando visitando muito esse abismo. Entrando em uma queda livre. E não é das boas, não é como pular de para-quedas. É cair e perder o rumo.
Então hoje eu fiz diferente. Hoje eu cliquei. Hoje eu escrevi meu nome no muro. Hoje eu mandei uma mensagem pra alguém querido. Hoje eu descruzei as pernas e olhei no olho.
Caraca, como é bom isso.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

E os anseios da alma?

Lembro-me que quando criança aprendi sobre a escritura em Mateus que diz que o que buscarmos encontraremos, o que pedirmos nos será dado e ao bater será aberto. Sempre que pensava nessa escritura eu pensava a que exatamente Deus se referia e como poderiam todos os nossos pedidos serem atendidos. Pensava o que aconteceria, por exemplo, se todos pedissem para ganhar na loteria. E durante muito tempo fiquei me questionando quais seriam as condições. Seria a forma de pedir? Seria pedir a coisa certa?

Lembrei-me novamente dessa escritura. Vou compartilhar com vocês o que acredito, mas ressalto que essa é apenas minha forma de ver e diversas são as pessoas e diversas as interpretações. Hoje acredito que Deus se referia aos aspectos que vão muito além de nosso mundo material. Acredito que Ele se referia aos pedidos e anseios da alma. 

Então me perguntei: enquanto vivemos nossa vida nesse mundo, dia a dia, temos consciência do que nossa alma está pedindo?

Crescemos aprendendo a pensar racionalmente, a nos organizar no tempo e a nos comportar nesse mundo material, onde as leis da física e da sociedade imperam. Mas quantas coisas desconhecemos nos demais âmbitos da vida? O que sabemos sobre energia e espiritualidade? E o que sabemos sobre nossa própria essência nesses outros mundos? Quanto de nós passa despercebido de nossa consciência?

Sei muito pouco sobre tudo isso, mas posso relatar o que sinto através de minhas próprias experiências pessoais. As questões da alma não funcionam como nossos aspectos físicos. Não podemos aplicar os mesmos parâmetros, proporções ou conceitos. Muito do que aprendemos precisa ser desaprendido. Há muito que se desconstruir. A alma não consegue ser forçada, enquadrada ou moldada. Acredito que possivelmente não se aplicam as mesmas leis, nem as mesmas concepções de certo e errado. Pensando em minhas próprias experiências, penso que muitas vezes o que escondemos aparece, o que reprimimos escapa. Não há nada que possa ser escondido ou ignorado, pois cada coisa precisa do seu lugar. E cada conflito pede por sua resolução.

Acredito ainda que muitas vezes o nosso consciente pede exatamente pelo oposto de nossa alma. Fiquei pensando então como poderia minha alma estar pedindo por algo que eu não quero. Acredito que a alma pede pela resolução do conflito, mesmo que isso signifique atrair o conflito em si. E talvez por isso nos vemos repetidas vezes na mesma situação que tanto tentamos evitar. Não acredito que essa seja a única forma, mas talvez foi a única encontrada naquele momento.

E quando por fim o conflito emerge e consegue se apresentar em nosso mundo consciente, presos em nossa consciência material relutamos, estagnamos, travamos e encontramos culpados. Não nos damos a oportunidade de extrair daquela experiência tudo o que precisamos para nosso crescimento individual. Não nos deixamos curar. Não estabelecemos a ligação entre as diversas faces do nosso eu. Não confiamos em nós mesmos. E o conflito aparece, repetidamente, se mostrando de diversas formas, gritando por uma resolução.

Através desses pensamentos,  percebi a necessidade constante de me conectar comigo mesma, de entender meus anseios e conflitos, de procurar tratá-los em meu eu interior. Encontrá-los e curá-los de dentro para fora e não de fora para dentro. Percebi a necessidade de conectar-me à minha alma, de tentar ver as coisas que tanto procuro evitar sobre a perspectiva dela. Algumas coisas simplesmente deixaram de ter tanta importância quando as coloquei no âmbito espiritual.

Que universo infinito de coisas temos para aprender sobre os demais mundos? Quantas de nossas consciências permanecem ocultas de nós mesmos?

Então entendi que nossa porta de comunicação com Deus está sim sempre aberta. E, para mim, ela é um caminho para dentro. Acredito que, quando encontrar a verdadeira sintonia, o que há de vir pela frente já não será motivo de preocupação, pois é um caminho de consciência e entrega, onde o melhor poderá emergir de cada experiência e desafio.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pelo direito de não estar pronta

Eu sempre me orgulhei por fazer coisas que não eram da minha idade. Pela minha coragem. Nos parques, eu acompanhava meus irmãos mais velhos nos brinquedos perigosos, descia nos tobogãs altos, passeava pelas casas do terror e gritava nas montanhas-russas. Lembro muito bem da minha mãe dizendo que eles me incentivavam, me levavam para a frente.

Com o passar dos anos meus irmãos sempre fizeram as coisas antes de mim. Seis e sete anos de diferença são muita coisa. Às vezes eu ainda tentava acompanha-los. Participei da banda do meu irmão, jogava RPG e gostava de ficar com seus amigos, ainda que um pouco fora do grupo.
Por fim, eu fui para a faculdade, cheia de sonhos e ideias na cabeça. A vida e a realidade me deram alguns solavancos e cá estou.

Acho que eu continuei sempre a me cobrar essa força de vontade, esse andar pra frente, nunca parar, buscar algo novo. Sempre me cobrei fazer o que é melhor, custe o que custar. Cortar as amarras e encontrar força.

Fato é que não existe muita diferença entre uma corrida desembestada e uma fuga. Chega um ponto em que a ansiedade se torna insuportável e nada parece suficiente.


E é por isso que a partir de hoje me dou o direito de não estar pronta. Afinal, não sabemos nada dessa vida e o mais certo parece ser viver.

sábado, 10 de outubro de 2015

As tardes

Eu sempre me alegrei com a preguiça das tardes. Não sei o que carregam. As tardes. Têm  uma paz amena, o conforto do meio. Como um meio de vida, quase como a eternidade. Não são começo, não são fim.
As manhãs surgem com expectativas, promessas, metas. As noites chegam com a iminência do fim, varrendo tudo o que ficou do dia, limpando a superfície.
Já as tardes... ai as tardes. As tardes são dos amantes, dos românticos. As tardes não prometem nada. São quentes, cheias de uma esperança gostosa. Esperança de um crepúsculo bonito e uma noite banhada pelo luar.
As tardes se despedem devagar.
Pedem pra ficar.
Ficam em nós.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sobre cativar e surpreender

Sempre que penso nas diversas desavenças em relacionamentos, lembro-me de um texto que li no qual o autor explicava sobre as diferentes formas de "se declarar" e receber declarações. A verdade que elas nem sempre coincidem e cada um de nós aprendeu e cultiva formas de amor.

Algumas pessoas se encantam com declarações em público, outras com presentes, carinhos. Algumas demonstram que amam fazendo tarefas diárias para o outro, enquanto os mais criativos inventam surpresas. Podemos ver também aqueles que falam, constantemente.

Não cabe a mim entrar no mérito de cada uma delas. O que venho fazer aqui é sugerir que aprendamos outras formas, que possamos observar mais e cobrar menos. Ao invés de exigir que nosso parceiro(a) descubra e aja sempre de acordo com nossa forma de amor, por quê não aprendemos mais sobre o outro? Será que estamos buscando outras formas de expressar o que sentimos? Será que o outro sente falta de algo?

Penso que uma das belezas de cultivar uma relação duradoura é poder encontrar mais de si ao se dar ao outro. É ver-se pelo reflexo e descobrir nesse reflexo uma versão nova de nós mesmos. E para tal defendo a liberdade e a autonomia.

Em longas relações costumamos nos acostumar, aquietar-nos e definir-nos enquanto um ser imutável. Quantas vezes dizemos ou ouvimos "Mas eu sempre fui assim." "Você gostou de mim assim". Nós mudamos, e devemos a nós mesmos essa permissão de mudar, de sermos uma versão melhor de nós mesmos. Essa versão pode cativar a nós mesmos e cativar nosso parceiro; e assim cada manhã é um novo dia para nos abrir ao que se aperfeiçoará em nós e em nosso companheiro(a).

Então meu convite hoje é abrir-se as diferentes formas de demonstrar amor. Surpreenda quem você ama, surpreenda a si mesmo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Caminhos da alma

Hoje sentei para ler meu blog e não me reconheci. Existe isso? Não se reconhecer, não se conhecer, conhecer-se de novo?
Enquanto lia senti uma parte de mim correr atrás de algo que fugia. Algo que se escondia nas entranhas da memória. Eu me escondia.
Quanto tempo faz desde que eu estive aqui? Quanto tempo faz e para onde eu fui? Por quê me esvaziei? De quê me esvaziei?
Quis chorar, quis pedir que o ser fugitivo saísse das minhas entranhas para me encontrar.
Ele, recluso, fechou-se ainda mais.
Pediu paciência, pediu tempo, pediu amor.
"Uma hora eu volto", ele disse. "Uma hora a gente volta", falamos em coro.
Sentei ao seu lado. Recostei a cabeça em seu ombro e respondi "Tudo bem, fico com você".

Nos caminhos da alma nada é feito a força, nada é feito sem amor.
Nos caminhos da alma o quando e o onde não importam.
Nos caminhos da alma a vida pede tempo, o tempo perde-se na existência e a existência se faz por si.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Coração cansado

Existe isso de cansar de amar?
Pois se sim, foi o que me aconteceu.
Amei tanto e de tantas formas, tantas vezes, que o amor em mim pegou uma trouxinha e se foi dizendo que precisava ir, pois este era um coração cansado.

Tenho uma alma velha e um coração cansado.
Por que diz isso? Alguns vão me perguntar.
E não consigo dizer muito mais que “Eu sei”.

Eu sei, pois há dores em mim das quais nunca tive conhecimento.
Eu sei, pois o mundo me assusta mais que deveria.
Eu sei, pois todos parecem dançar uma música que nunca aprendi.

Sim. Eu amo.
E vou continuar a amar, todos os dias de minha vida, por toda a eternidade.

Mas o amor, sentado em um canto, ainda procura seu lugar.